Elis & Tom: o disco que quase não existiu
- avozdovinil

- 26 de jul.
- 2 min de leitura

Pouca gente sabe, mas um dos discos mais importantes da música brasileira quase nunca aconteceu.
Quando completou dez anos de contrato com a Philips, Elis Regina recebeu uma proposta do executivo André Midani para celebrar a data de uma forma especial. A ideia era simples apenas no papel: reunir Elis Regina e Tom Jobim para gravarem um álbum juntos.
Hoje parece uma escolha óbvia.
Na época, nem tanto.

A viagem para Los Angeles cercada de dúvidas
Em 1974, Elis e sua equipe desembarcaram em Los Angeles sem saber ao certo se Tom Jobim realmente aceitaria participar da gravação.
O maestro tinha algumas reservas.
Parte dessa resistência vinha da presença de César Camargo Mariano, então marido de Elis e responsável pelos arranjos do projeto.
César representava uma geração diferente.
Levava teclados, novas sonoridades e uma visão mais moderna dos arranjos. Tom Jobim era extremamente criterioso com sua obra e demorou algum tempo para entender o caminho que César pretendia seguir.
Felizmente, a música falou mais alto.
Quando dois gigantes se encontram
O resultado dispensa apresentações.
Elis & Tom não é apenas um grande disco.
É um daqueles encontros que parecem improváveis, mas que acabam mudando a história da música.
A interpretação de Elis encontra a sofisticação das composições de Tom em um equilíbrio que dificilmente seria repetido.
Não existe disputa de protagonismo.
Existe respeito.
Existe escuta.
Existe música.
Talvez por isso tanta gente considere este álbum um dos pontos mais altos da MPB.
Quando o disco finalmente chegou às lojas em agosto de 1974, ninguém imaginava que ele se transformaria em uma referência absoluta da música brasileira. Faixas como Águas de Março, Corcovado, Retrato em Branco e Preto e Inútil Paisagem ajudaram a consolidar o álbum como um dos encontros mais importantes da MPB.

O documentário que todo apaixonado por música deveria assistir
Quem quiser entender melhor como tudo aconteceu precisa assistir ao documentário "Elis & Tom – Só Tinha de Ser Com Você".
O filme mostra os bastidores das gravações, as tensões do estúdio, as diferenças de personalidade e como um projeto cercado de dúvidas acabou se transformando em um dos discos mais importantes da música brasileira.
Depois de assistir, ouvir o álbum ganha um significado completamente diferente.
Um disco para ouvir sem pressa
Este não é um disco para tocar enquanto você responde mensagens no celular.
É daqueles que pedem tempo.
Acenda um incenso.
Prepare um Dry Martini.
Sente-se em frente à vitrola.
E simplesmente ouça.
Porque alguns discos parecem melhorar conforme a gente aprende a escutá-los.
Como a própria Elis dizia:
"A música é meu arco, minha flecha, meu motor, meu combustível e minha solidão."
Se você gosta desse tipo de história, vale a pena conhecer também o acervo da A Voz do Vinil. Além de clássicos da MPB, a loja reúne prensagens originais, reedições especiais e discos que ajudam a contar a história da música brasileira através do vinil.
Se você procura uma cópia desse álbum, veja o exemplar disponível na A Voz do Vinil.

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