John Lennon, rock’n’roll e o disco que voltou às origens
- avozdovinil

- 4 de fev.
- 2 min de leitura

A lenda conta que, lá pelos idos dos anos 1950, no primeiro encontro entre Paulie e Johnny, o segundo estava à frente de uma banda chamada The Quarrymen e cantava “Be-Bop-A-Lula”, composição de Gene Vincent — um dos grandes precursores do rock’n’roll.
Daquele encontro improvável nasceu uma das parcerias mais frutíferas da história da música popular.
Depois do mundo mudar, era hora de olhar pra trás
Anos depois, já conhecido mundialmente, John Lennon resolveu revisitar suas raízes.Depois do yeah, yeah, yeah, da psicodelia, do experimentalismo, do engajamento político, do pacifismo e do feminismo, John decidiu gravar um disco roots, dedicado exclusivamente a covers de rock’n’roll.
Era um retorno direto às músicas que ele ouvia na adolescência.
Com arranjos bem trabalhados, cheios de metais e percussão, Lennon prestou uma homenagem explícita aos pais desse gênero musical. Estão ali Chuck Berry, Fats Domino, Buddy Holly, entre outros.
Um repertório que remete ao tempo em que uns Beatles ainda desconhecidos incendiavam os inferninhos de Hamburgo, tocando a todo vapor por até dez horas por noite. A foto da capa, inclusive, é daquela época.
Um disco, uma disputa e uma solução engenhosa
Mas havia mais um motivo por trás desse álbum.
A gravação também esbarrava numa questão legal delicada. A canção “Come Together”, lançada no álbum Abbey Road em 1969, foi acusada de beber demais da fonte de “You Can’t Catch Me”, composição de Chuck Berry.
Na época, o próprio Paul chamou a atenção de John para a semelhança e sugeriu mudanças no andamento da música. Ainda assim, o detalhe não passou despercebido por Morris Levy, empresário que controlava o catálogo de Berry, que ameaçou levar o caso aos tribunais.
A solução encontrada foi simples e engenhosa: John gravaria músicas pertencentes ao catálogo de Levy. Assim, todos sairiam ganhando — juridicamente e musicalmente.
Rock’n’roll como celebração
O resultado é um disco direto, caloroso e festivo, que ainda traz uma versão belíssima de “Stand By Me”, composição de Ben E. King.
Não soa como obrigação.Soa como celebração.
Rock’n’roll na veia, do jeito que tudo começou.

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