Realce (1979): Gilberto Gil no auge da invenção
- avozdovinil

- 1 de fev.
- 2 min de leitura
O álbum Realce, lançado em 1979, é o último capítulo da famosa quadrilogia “RE” de Gilberto Gil, iniciada com Refazenda (1975), seguida por Refavela (1977) e Refestança (1977) — este último gravado ao vivo e dividido com Rita Lee.
A quadrilogia “RE” e o momento de Gilberto Gil
Esse período marca um Gil em estado criativo absoluto, experimentando linguagens, cruzando referências e expandindo os limites da música popular brasileira. Realce fecha esse ciclo com brilho próprio, sintetizando tudo o que veio antes, mas apontando para novos caminhos.
Um desfile sonoro de sucessos
Realce é um verdadeiro desfile sonoro. Além da faixa que dá nome ao disco, o álbum traz uma versão super conhecida de “No Woman, No Cry”, popularizada por Bob Marley, e uma leitura muito elegante de “Marina”, de Dorival Caymmi.
A produção reúne uma seleção de peso: músicos brasileiros como Sérgio Dias e Liminha (ex-Mutantes) dividem espaço com nomes internacionais como Steve Lukather, em arranjos sofisticados e cheios de personalidade.
“Super-Homem – A Canção”: uma pérola do disco
Uma das grandes joias desse discão é “Super-Homem – A Canção”. Daquelas letras que funcionam até sem música: só de ler, já dá pra extrair muita coisa.
Gil joga metaforicamente com a ideia da força ativa masculina versus a força reativa feminina, expondo o quanto esse sistema de papéis é falho, limitado e culturalmente construído.
A origem da canção: cinema, Caetano e metáfora
O ponto de partida da composição surgiu a partir de um papo com Caetano Veloso, que havia acabado de sair do cinema depois de assistir ao filme Superman (1978). Caetano comentava sobre a cena em que o herói altera a rotação da Terra para salvar Lois Lane, sua então namorada, que havia morrido em um acidente.
Essa imagem atravessa a canção como metáfora, transformada em reflexão íntima e social.
Um fechamento à altura de um gênio
Na gravação, a voz de Gil passeia de forma melancólica, pontuando cada nota da melodia tristonha. A introdução, tocada em um sintetizador, é simplesmente linda.
Se for verdade que existe esse negócio de gênio, possivelmente Gilberto Gil é um. A obra está aí para validar essa genialidade — e Realce é uma das provas mais contundentes disso.
E pra você: qual faixa de Realce ainda soa mais atual hoje?
Conta aqui nos comentários — esse disco continua dizendo muita coisa.
Esse e outros discos de Gil você encontra em nosso site. https://www.avozdovinil.com/product-page/gilberto-gil
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